I wonder where home is…

Hoje minha filha tinha uma apresentação na escola. Aqui eles chamam de assembly. Toda a sala se reúne na frente dos demais coleguinhas da escola num grande salão, onde eles cantam e recitam um jogral. Os pais se acotovelam, tentando se acomodar nas cadeiras dispostas pelo salão, na ânsia de poder ver, tirar fotos ou filmar seus pequenos, enquanto eles se apresentam.

A frase que a Edda tem que falar é: “I wonder where home is…” – fico imaginando onde é o (meu) lar…

Curioso essa ser a frase que ela irá dizer na apresentação, justo quando estamos para completar um ano desde a nossa chegada. Mais curioso ainda é termos essa sensação de “lar” aqui, numa terra distante da nossa natal.

Algumas pessoas aqui sabem um pouco da minha história, e de como encontrei meu lar formando minha família com a Camila e as meninas. E grande parte do nosso sucesso de adaptação por aqui se deve ao fato de que a gente se manteve unido, forte e apoiando um ao outro nesses últimos doze meses.

34ad48b1-8d38-4673-bf1a-e726af2e52dd.jpg

Fico imaginando a barra que seria chegar por aqui sem amigos, sem família, buscando o sonho do Eldorado. Conheço gente que desistiu. E voltou. E também conheço gente que ainda está por aqui, no entanto que encontrou conforto dentro da comunidade de brasileiros.

Vira uma bola de neve: você está bem, estabilizado emocionalmente, amparado pela sua família. Começa a ver beleza nas ruas, no cotidiano, no inverno rígido… e consegue transmitir essa beleza de volta pra família, que se mantém unida, daí te apoia de volta e você consegue mais uma vez ver a beleza das coisas cotidianas.

Sempre fazemos umas contas esquisitas na nossa cabeça. A Liv já mora há mais tempo aqui do que no Brasil. Daqui a sete anos a Edda atinge esse marco. Camila vai demorar cerca de mais trinta anos pra poder dizer isso. E eu, o mais velho da casa, estarei com mais de oitenta anos quando puder alegar esta verdade.

Tendo vivido tanto tempo no Brasil, podemos dizer que nosso lar era lá também. Nossos familiares, amigos, modo de vida, comida, clima… tudo. Tudo isso que cria um brasileiro, que acabou ficando pra trás. Não, não nos esquecemos nem viramos as costas a isso.

Ainda ontem conversávamos sobre o fato de que gostamos daqui. Gostamos de Londres. A atmosfera cosmopolita, os museus, nossos amigos. Ficamos felizes quando alguém nos pede informações na rua. Aproveitamos a cidade. Fazemos planos…

3fbba66d-d18a-43b2-8ed7-3868b0be0f56-1

Um ano depois, conseguimos nos fazer esse questionamento, e conseguimos chegar a uma conclusão: aqui se tornou o nosso lar.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s