Devaneios de um imigrante

Poucos dias antes de embarcar, minha tia materna – que morou em Londres durante algum tempo – me ensinou uma lição delicada.

“Não ouça rádio brasileira lá, é dolorido”.

Por um acaso estou ouvindo rádio USP enquanto as meninas e o Rodrigo dormem num frio de 2 graus.

Enquanto o som da rádio invade meus pensamentos, fico lembrando de uma colega da época da faculdade de educação que também abandonou São Paulo. Mas, oposto ao que fiz, foi morar num vilarejo baiano que conheci há algum tempo atrás e que hei de voltar.

Hoje de manhã, olhando as minhas filhas brincarem no parquinho perto de casa pensava no futuro delas e no quanto de Brasil elas levariam consigo. Músicas? Histórias? Histórias das estórias? Apenas documentos emitidos em suas primeiras infâncias?

Estou longe. 12 horas. 9.941km de acordo com o preciso algoritmo googliano. Mas a memória consegue estar mais longe do que todos esses números. Ela está no intocável, tão longe que é inabalável.

Como será a primeira vez lá sem ser moradora? Como será ser visita? Como será passar pela imigração em meu próprio país?

Será que na próxima vida posso vir Dora? Aquela da Central do Brasil?

As perguntas ecoam.

O mais importante é fechar o editor de texto com a certeza de que sou feliz aqui. A certeza de que fui imensamente feliz lá.

Brasileira pro mundo inteiro.

Italiana apenas para o Home Office.

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